História do ''Soccer'' nos Estados Unidos
Não é novidade pra ninguém que o futebol nunca foi um dos esportes mais populares na Terra do Tio Sam. Para começar, o nome do esporte no país é diferente do nome original, utilizado no resto do mundo. Football, para eles, é o futebol americano.A palavra soccer, entretanto, não nasceu nos EUA, os próprios ingleses criaram o termo, com o intuito de diferenciar o Rugby Football do Association Football. O futebol, então, acabou sendo chamado por alguns de ''Association'', depois ''Asoc'' ,'' Soc'' e, por fim, ''Soccer''. Atualmente, o esporte também é chamado de Fútbol (espanhol para futebol) por muitos americanos.
O ''Soccer'' é o terceiro esporte mais praticado do país, atrás apenas do Basquete e do Beisebol. Desde os anos 70, com a fundação da North American Soccer League (NASL) a popularidade do futebol tem crescido por lá.
A NASL foi a primeira liga de futebol dos Estados Unidos. A liga debutou em 1968, com 17 equipes. Atingiu seu auge entre 1978 e 1980, quando chegou a 24 franquias. Dentre eles o famoso New York Cosmos, time onde jogaram Pelé, Beckenbauer e Chinaglia. A partir de 80, a liga começou sua derrocada e decretou falência em 1984.
Em 1994, os Estados Unidos receberam o direito de sediar a Copa do Mundo da FIFA. O torneio foi um grande sucesso e levou mais de 3,5 milhões de americanos aos estádios, e teve a maior média de público de todas as copas, 68.991. A semente fora plantada com sucesso. O ''soccer'' voltara a conquistar milhões de americanos.
Como moeda de troca pelo Mundial e como os EUA não tinham uma liga profissional desde a falência da NASL, a FIFA pediu à US Soccer (órgão semelhante à CBF) que fosse criada novamente uma liga de futebol profissional no país. O grupo escolhido foi o da Major League Soccer. A MLS estava criada no dia 17 de dezembro de 1993.
MLS: de dias difíceis ao sucesso
A primeira temporada foi realizada em 1996 com 10 times. O DC United, time da capital Washington, venceu os dois primeiros campeonatos. Depois da primeira temporada, a média de público da liga caiu 16%. Em 1998, a Major League Soccer realizou sua primeira expansão. As cidades de Miami, na Flórida e Chicago, Illinois foram premiadas com o Fusion e o Fire respectivamente.
Em 2000, a média de público do torneio registrou seu número mais baixo, 13,576 torcedores por jogo. As tentativas da MLS de ''americanizar'' o esporte e o fato das partidas serem realizadas em estádios de futebol americano pareciam não agradar os fãs.
Com os inúmeros problemas financeiros, os donos da liga demitiram o Comissário Doug Logan e contrataram Don Garber, ex-funcionário da NFL. Mas as dificuldades pareciam não ter fim. Em 2002, a liga se viu obrigada a romper o contrato com o Tampa Bay Mutiny e o recém-criado Miami Fusion, que decretaram falência. A liga voltou a ter apenas dez franquias.
O ''soccer'' parecia fadado ao fracasso novamente. Mas o inesperado sucesso da Seleção americana na Copa 2002, onde os americanos conseguiram chegar às quartas-de-final, ajudaram a MLS a ressurgir. Em meio ao fervor do ''soccer'',o Columbus Crew inaugurou o primeiro estádio específico para futebol, o Columbus Crew Stadium e a MLS Cup (final da liga) de 2002 recebeu mais de 61 mil torcedores no Gillette Stadium, em Massachusetts.
A liga conseguiu estabilizar as finanças e, de 2003 a 2008, viu 6 equipes construírem suas casas e saírem dos estádios de futebol americano. A liga também cresceu em número de quipes.Salt Lake City e Los Angeles receberam novas franquias, o Real Salt Lake e o Chivas USA. Apesar do boom, o San Jose Earthquakes pediu licenciamento da liga por questões financeiras. A franquia foi então realocada para Houston, onde nasceu o Houston Dynamo. .
Em 2007, a MLS assinou com a ESPN seu novo acordo de televisão por US$ 8 milhões por ano, até então, a liga não recebia pelas transmissões. Também em 2007 a liga expandiu-se para além das fronteiras americanas premiando Toronto, no Canadá, com uma franquia, o Toronto FC.
O Efeito Beckham
Para aumentar a qualidade da liga e o interesse da mídia e dos fãs, a MLS criou a regra do Designated Player ( Jogador Designado). Até a criação da norma, assim como em todos os esportes nos EUA, os jogadores de todas as equipes só poderiam receber de acordo com o teto salarial estabelecido pela liga.
Com a possibilidade de pagar mais, os clubes começaram a olhar para as estrelas. E o Los Angeles Galaxy, um dos mais endinheirados, contratou o astro inglês David Beckham. A partir desse momento o mundo começou a descobrir a Major League Soccer.
A chegada de Beckham surtiu o efeito desejado. O interesse na liga cresceu absurdamente, a média de público também aumentou. Várias cidades em todo o país passaram a almejar uma franquia na liga. O boom foi gigantesco.
O San Jose Earthquakes voltou à MLS após 2 anos de licença. O "soccer" conquistou muitos fãs em Seattle, que em 2009 foi premiada com uma franquia, o Seattle Sounders. Em 2010, foi a vez de Philadelphia ser agraciada com o Union. Em 2011, a MLS premiou Vancouver, no Canadá, com o Whitecaps e Portland, com o Timbers. A última cidade que recebeu uma franquia foi Montreal, no Canadá, em 2012. Assim, 19 equipes passaram a integrar a principal liga de futebol profissional dos EUA.
Futuro Promissor
Expansão
Com todo o sucesso recente, a liga pensa grande. Tem planos de se expandir para 24 equipes até 2020. Orlando City, do brasileiro Flávio da Silva e New York City FC começam a jogar a MLS a partir da próxima temporada. Os dois times têm planos ousados. O Orlando City já contratou a estrela brasileira Kaká e já sondou Robinho. O time de Nova Iorque trouxe David Villa e Frank Lampard e pode contar com Xavi até sua estreia.Além de Orlando e Nova Iorque, Atlanta e Miami também foram premiados com uma franquia. O time da Geórgia fará sua estreia em 2017 e já vendeu quase 15 mil ingressos para toda a temporada. Já a equipe da Flórida vive um imbróglio. O astro inglês David Beckham tem a intenção de criar um time em Miami, mas a dificuldade em conseguir uma área no centro da cidade para a construção do estádio tem preocupado o ex-jogador e pode deixar Miami de fora da liga.
Inúmeras cidades ao redor dos EUA demonstram ávido interesse em contar com uma franquia. As principais candidatas para a última vaga são : Minneapolis(MI), Austin e San Antonio(TX), Sacramento(CA) e a improvável Las Vegas(NV).
Apesar de limitar-se a 24 times até 2020, a expansão não deve parar por aí. Muitas cidades relevantes como Detroit, Phoenix, Charlotte e Saint Louis ainda não têm franquias. Outras como Sacramento, San Antonio e Indianapolis têm batidos recordes de público nas divisões inferiores dos Estados Unidos, a atual NASL (2°divisão) e a USL Pro(3°divisão). Vale lembrar que apesar de ter 3 divisões, não há rebaixamento e acesso, semelhante aos outros esportes nos EUA.
Televisão
O atual acordo de transmissão da MLS termina ao fim desta temporada.O acordo em vigor rende entre US$ 40 e 45 milhões anuais à liga. Mas a Major League Soccer já tem novo contrato assinado. ESPN, FOX e Univisión pagarão US$ 90 milhões por ano de 2015 até 2022.Competitividade
Assim como nas outras ligas dos EUA, a MLS reparte igualmente os valores recebidos pelas transmissões. A medida visa dar a maior competitividade possível à liga. Outra medida comum às ligas de esportes nos Estados Unidos e adotada pela Major League Soccer é a do teto salarial. A liga estabelece um teto salarial para os clubes, entretanto, pela regra do Designated Player cada franquia pode ter 3 jogadores que ultrapassem esse teto.O Céu é o limite
A audácia da Major League Soccer levou o futebol nos Estados Unidos à um patamar antes impensado e em um curto período de tempo e deve leva-lo ainda mais longe. É hora de começarmos a aprender com os americanos !
Nenhum comentário:
Postar um comentário