Depois
de 28 anos, o Joinville Esporte Clube está de volta à elite do futebol
brasileiro. Um acesso que premiou a união e a regularidade. O time catarinense
ficou apenas uma rodada fora do G-4.
O
JEC, que voltou a Série B em há dois anos, chegou perto do acesso em 2012. Na
ocasião, a equipe terminou em sexto lugar. Em 2013, o Tricolor bateu na trave.
Terminou em sexto novamente, mas dessa vez apenas um ponto atrás do
Figueirense, que foi o quarto e último a ascender para a primeirona.
Um acesso que confirma a ascensão do futebol catarinense no cenário nacional.
Santa Catarina já tem três equipes na Série A (Figueirense, Chapecoense e
Criciúma) e, além do Joinville, tem o Avaí, que ainda busca o acesso, na Série
B.
O
estado do sul mostra que é possível gerir bem o futebol com poucos recursos e
sem a badalação de outros centros. Santa Catarina hoje colhe os frutos de um
trabalho que vem se desenvolvendo a tempos e parece ser promissor.
Mas
voltamos ao grande feito do Tricolor da Manchester Catarinense. Vamos aos
fatores, que juntos, levaram o JEC à Série A do Brasileirão em 2015:
União
Diferentemente
do ano passado, o grupo não sofreu com as vaidades e manteve-se fortemente
unido durante o campeonato. Mas , é claro, por vezes, os jogadores tiveram que driblar
alguns obstáculos.
Logo
na segunda rodada, o goleiro Ivan e o atacante Jael quase saíram no tapa no
vestiário. O atacante cobrou o arqueiro por ter ficado insatisfeito com uma
saída de bola do jogador. Os companheiros controlaram os dois e após o
episódio, não houve mais brigas.
Premiação
Outro
fator importante na campanha do Joinville foi a premiação. A diretoria do JEC estabeleceu que a cada
cinco jogos era preciso somar 10 pontos para o grupo faturar R$ 66 mil. O
prêmio poderia ser maior se a equipe superasse a marca.
Na primeira série deu certo. Foram 13 pontos
somados e R$ 88 mil de prêmio. No entanto, nas duas séries seguintes, o
desempenho caiu. E aí veio o pedido de líderes do grupo para que a pontuação mínima
fosse de nove pontos, mais fácil de ser atingida. A diretoria aceitou e passou
a pagar bichos em jogos-chave.
Protagonistas Tricolores
Jael, o artilheiro
Após a
saída de Lima, o Joinville viveu alguns meses órfão de um camisa 9. Mas aí
apareceu Jael. E, desde a sua chegada, tudo mudou. Só na Série B, o Cruel
marcou 12 vezes. Durante várias rodadas ele foi o artilheiro disparado da
competição. Sem ele, o JEC perdeu jogos para Santa Cruz, Ponte Preta e Vasco. E
o temor pela ausência de Jael aumentou após a 25ª rodada, quando o jogador
lesionou o tornozelo direito e teve de fazer uma cirurgia, que o afastou dos
gramados até o fim da competição. O atacante não participou da reta final
do acesso, mas foi peça-chave enquanto esteve em campo.
Edigar
Júnio, o motor
Jovem,
velocista, habilidoso. Todas essas características definem bem Edigar Júnio,
que já brilhou pelo JEC no Catarinense, quando foi o motor da equipe que chegou
à final do Estadual. No começo da Série B, marcou gols e participou como garçom
para os companheiros. No entanto, seu desempenho caiu após a expulsão contra o
Bragantino, no turno. Chegou a amargar a reserva. Mas, com paciência, deu a
volta por cima e se tornou o cara do Joinville. A retomada começou diante do
Náutico. Mas o brilho aumentou após a saída de Jael. Com atuações fantásticas -
e gols -, diante de Ceará e ABC, Edigar se tornou o principal jogador do JEC na
conquista do acesso à Série A.
Marcelo
Costa, o maestro
O meia
Marcelo Costa começou a temporada sendo cobrado por ter dado poucas
assistências e também por ter marcado poucos gols. A situação incomodou o
experiente jogador. Mas, após a parada da Série B para a realização da Copa do
Mundo, o camisa 10 deu a volta por cima. Depois dessas pequenas férias, Marcelo
Costa deu oito assistências e marcou cinco gols. A principal arma do jogador
passou a ser a bola parada. Foi dela que saíram os gols do lateral-esquerdo
Rogério diante do Avaí e do Bragantino, por exemplo.
O
Treinador
Hemerson José Maria. Florianopolitano, 42 anos,
ex-treinador da base do Figueirense e ex-comandante das categorias inferiores e
do time profissional do Avaí. Foi ele o grande responsável por recolocar o
Joinville na Série A após 28 anos longe da elite.
Entretanto, a vida de ''Manezinho'', como é conhecido, nem sempre foi fácil. As
dúvidas dos torcedores começaram pela rivalidade entre interior e Capital. Na
Ilha, Maria trabalhou durante nove anos na de base do Figueirense. Em 2011,
trocou o Alvinegro pelo azul do Avaí, onde foi campeão Estadual em 2012 e
esteve perto do acesso à Série A em 2013. Além disso, alguns torcedores sempre
consideraram o treinador muito cauteloso.
E
o equilíbrio do comandante, aliado à paciência da diretoria, superou cinco
séries sem vitória; quatro partidas na reta final da Série B; uma eliminação na
Copa do Brasil (para o Novo Hamburgo, na primeira fase); e a perda do título do
Catarinense para o Figueirense. Nesses momentos, a torcida pressionou e alguns
pediram a saída do treinador.
No entanto, ele ficou. E
quebrou recordes. Conseguiu ser o primeiro treinador em 15 anos a começar e
terminar uma temporada pelo JEC. E colheu frutos: o tão sonhado acesso à Série
A passou pela serenidade e pelo perfeccionismo de Hemerson Maria.
Todos
estes fatores, unidos, colocaram o Joinville Esporte Clube na Série A e, quem
sabe, ainda pode dar o título da série B ao Tricolor. O time que já nasceu
campeão ( em seu primeiro ano de fundação, levou o Campeonato Catarinense), o
time da maior cidade do Estado de Santa Catarina. O que esta equipe pode fazer
na Série A ? Certamente, pode fazer bonito.