Diferentemente dos últimos duelos, o clássico
tinha um favorito. Afinal, o Chelsea entrou em campo invicto e com a liderança
garantida por mais uma rodada, pelo menos. Já o Liverpool vinha oscilando em
2014-2015, com muitas atuações decepcionantes. Se encolheu diante do Real Madrid nos duelos da Champions League e
assim se complicou na competição europeia. Mas a esperança era toda depositada
em uma mudança de postura e de rumo, que começaria hoje, com triunfo no
clássico.
O time da casa até começou melhor. O jovem Emre
Can, de 20 anos, tinha muita liberdade e arriscou de fora da área algumas
vezes. Aos 8 minutos, o ex-jogador do Bayer Leverkusen teve espaço para avançar
na intermediária mais uma vez, chutou de fora da área e a bola desviou em
Cahill e matou completamente Courtois. Os Reds estavam na frente. Mas não por
muito tempo...
Pouco tempo depois, aos 14 minutos, Hazard cobrou
escanteio para forte cabeçada de Terry. Mignolet fez milagre e, na sobra, Cahill
finalizou para que o arqueiro belga segurasse a bola. Porém, o recurso
eletrônico (tecnologia na linha do gol) provou que a bola e o goleiro ultrapassaram
a linha e, de fato, houve gol. Com a ajuda da tecnologia, o Chelsea chegou ao
empate. Bom para os Blues, mas principalmente para o futebol. Pelo menos na
Premier League, “gols duvidosos” não existirão mais!
Após o empate, os Blues passaram a ter maior
domínio das ações, marcando a saída de bola da equipe mandante. Já o time de
Brendan Rodgers ensaiava contragolpes, mas sem muito sucesso.
No segundo tempo, a bola continuava sem
chegar aos atacantes das equipes. Mas aí está a diferença entre os clubes nessa
temporada. Enquanto Diego Costa buscava jogo a todo instante, se movimentando
ora na ponta esquerda, ora na ponta direita, Mario Balotelli simplesmente
assistiu ao duelo. Acomodado, aceitava a marcação dos defensores londrinos e
pouco pegou na bola. Era um espectador no gramado de Anfield Road.
Inteligente, o Chelsea esperava o momento
certo para atacar. Quando ia pra cima era quase fatal. E a virada veio aos 21
minutos, quando Azpilicueta fez uma jogada fantástica pela ponta esquerda. O
camisa 28 evitou a saída de bola pela linha de lado, entortou Coutinho (com
direito a meia-lua) e soltou uma bomba num chute cruzado. Mignolet espalmou e a
bola sobrou para o sempre bem posicionado Diego Costa encher o pé e balançar as
redes.
A partir daí, desespero total de um Liverpool
que não lembra em nada a equipe da última temporada. Apostando em sucessivos
cruzamentos, a equipe não conseguiu empatar e segue afundando em 2014-2015. A
cada partida, o time do comandante Rodgers se posiciona como time pequeno, mais
preocupado em se defender dos adversários. Uma partida com os Reds sendo
dominantes, indo pra cima e enfrentando sem medo os grandes clubes parece cada
vez mais utópico. Outro duelo como aquele que considero o melhor jogo do último
campeonato inglês, Liverpool 3 x 2 Manchester City, é apenas um sonho distante.
A ausência de Sturridge é muito sentida, mas não é só isso. Falta um atacante
diferenciado. Falta coragem. Falta Suárez.
A virada fez justiça ao que foi o confronto.
O Chelsea é uma equipe madura. Demonstra inteligência e frieza. Tal qual um
predador, o time de José Mourinho espera o momento exato pra dar o bote e
acabar com a presa (o adversário). Não é atoa que os Blues estão invictos na
temporada e ocupam a liderança isolada da Premier League com 29 pontos.
Corneta
- Os três atacantes do elenco do Liverpool
(Balotelli, Borini e Lambert) não marcaram nenhum gol na Premier League até o
momento. Enquanto isso, Diego Costa completou 10 gols em 9 partidas no torneio
nacional.
- Brendan Rodgers nunca venceu o Chelsea como treinador. São cinco derrotas e três empates.
- Jogadas pelo alto na área são certeza de desespero ao torcedor dos Reds e de alegria aos adversários. No lance do primeiro gol do Chelsea, Glen Johnson foi o único atleta a tentar salvar a equipe contra 4 adversários. Já os zagueiros Skrtel e Lovren (em destaque na imagem abaixo) estavam dando um importante apoio moral ao lateral e ao goleiro Mignolet.
Retrospecto (incluso duelo de hoje):
169 partidas
74 vitórias do Liverpool
35 empates
60 vitórias do Chelsea
Escalações:
Liverpool (4-3-2-1)
Mignolet; Johnson, Skrtel, Lovren e Moreno;
Henderson, Gerrard e Can (Allen), Sterling e Coutinho (Borini); Balotelli
(Lambert).
Chelsea (4-3-2-1)
Courtois; Ivanovic, Cahill, Terry e
Azpilicueta; Matic, Fabregas, Ramires (Willian), Oscar e Hazard (Filipe Luís);
Diego Costa (Drogba).



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