sábado, 15 de novembro de 2014

Joinville Esporte Clube- A afirmação da força catarinense


                                        
Depois de 28 anos, o Joinville Esporte Clube está de volta à elite do futebol brasileiro. Um acesso que premiou a união e a regularidade. O time catarinense ficou apenas uma rodada fora do G-4.

O JEC, que voltou a Série B em há dois anos, chegou perto do acesso em 2012. Na ocasião, a equipe terminou em sexto lugar. Em 2013, o Tricolor bateu na trave. Terminou em sexto novamente, mas dessa vez apenas um ponto atrás do Figueirense, que foi o quarto e último a ascender para a primeirona.

Um acesso que confirma a ascensão do futebol catarinense no cenário nacional. Santa Catarina já tem três equipes na Série A (Figueirense, Chapecoense e Criciúma) e, além do Joinville, tem o Avaí, que ainda busca o acesso, na Série B.

O estado do sul mostra que é possível gerir bem o futebol com poucos recursos e sem a badalação de outros centros. Santa Catarina hoje colhe os frutos de um trabalho que vem se desenvolvendo a tempos e parece ser promissor.

Mas voltamos ao grande feito do Tricolor da Manchester Catarinense. Vamos aos fatores, que juntos, levaram o JEC à Série A do Brasileirão em 2015:

União





Diferentemente do ano passado, o grupo não sofreu com as vaidades e manteve-se fortemente unido durante o campeonato. Mas , é claro, por vezes, os jogadores tiveram que driblar alguns obstáculos.
Logo na segunda rodada, o goleiro Ivan e o atacante Jael quase saíram no tapa no vestiário. O atacante cobrou o arqueiro por ter ficado insatisfeito com uma saída de bola do jogador. Os companheiros controlaram os dois e após o episódio, não houve mais brigas.
Premiação
Outro fator importante na campanha do Joinville foi a premiação. A diretoria do JEC estabeleceu que a cada cinco jogos era preciso somar 10 pontos para o grupo faturar R$ 66 mil. O prêmio poderia ser maior se a equipe superasse a marca.
Na primeira série deu certo. Foram 13 pontos somados e R$ 88 mil de prêmio. No entanto, nas duas séries seguintes, o desempenho caiu. E aí veio o pedido de líderes do grupo para que a pontuação mínima fosse de nove pontos, mais fácil de ser atingida. A diretoria aceitou e passou a pagar bichos em jogos-chave.

Protagonistas Tricolores

Jael, o artilheiro


Após a saída de Lima, o Joinville viveu alguns meses órfão de um camisa 9. Mas aí apareceu Jael. E, desde a sua chegada, tudo mudou. Só na Série B, o Cruel marcou 12 vezes. Durante várias rodadas ele foi o artilheiro disparado da competição. Sem ele, o JEC perdeu jogos para Santa Cruz, Ponte Preta e Vasco. E o temor pela ausência de Jael aumentou após a 25ª rodada, quando o jogador lesionou o tornozelo direito e teve de fazer uma cirurgia, que o afastou dos gramados até o fim da competição. O atacante  não participou da reta final do acesso, mas foi peça-chave enquanto esteve em campo.

Edigar Júnio, o motor

Jovem, velocista, habilidoso. Todas essas características definem bem Edigar Júnio, que já brilhou pelo JEC no Catarinense, quando foi o motor da equipe que chegou à final do Estadual. No começo da Série B, marcou gols e participou como garçom para os companheiros. No entanto, seu desempenho caiu após a expulsão contra o Bragantino, no turno. Chegou a amargar a reserva. Mas, com paciência, deu a volta por cima e se tornou o cara do Joinville. A retomada começou diante do Náutico. Mas o brilho aumentou após a saída de Jael. Com atuações fantásticas - e gols -, diante de Ceará e ABC, Edigar se tornou o principal jogador do JEC na conquista do acesso à Série A.

Marcelo Costa, o maestro

O meia Marcelo Costa começou a temporada sendo cobrado por ter dado poucas assistências e também por ter marcado poucos gols. A situação incomodou o experiente jogador. Mas, após a parada da Série B para a realização da Copa do Mundo, o camisa 10 deu a volta por cima. Depois dessas pequenas férias, Marcelo Costa deu oito assistências e marcou cinco gols. A principal arma do jogador passou a ser a bola parada. Foi dela que saíram os gols do lateral-esquerdo Rogério diante do Avaí e do Bragantino, por exemplo.

O Treinador





Hemerson José Maria. Florianopolitano, 42 anos, ex-treinador da base do Figueirense e ex-comandante das categorias inferiores e do time profissional do Avaí. Foi ele o grande responsável por recolocar o Joinville na Série A após 28 anos longe da elite.
Entretanto, a vida de ''Manezinho'', como é conhecido, nem sempre foi fácil. As dúvidas dos torcedores começaram pela rivalidade entre interior e Capital. Na Ilha, Maria trabalhou durante nove anos na de base do Figueirense. Em 2011, trocou o Alvinegro pelo azul do Avaí, onde foi campeão Estadual em 2012 e esteve perto do acesso à Série A em 2013. Além disso, alguns torcedores sempre consideraram o treinador muito cauteloso.

E o equilíbrio do comandante, aliado à paciência da diretoria, superou cinco séries sem vitória; quatro partidas na reta final da Série B; uma eliminação na Copa do Brasil (para o Novo Hamburgo, na primeira fase); e a perda do título do Catarinense para o Figueirense. Nesses momentos, a torcida pressionou e alguns pediram a saída do treinador.

No entanto, ele ficou. E quebrou recordes. Conseguiu ser o primeiro treinador em 15 anos a começar e terminar uma temporada pelo JEC. E colheu frutos: o tão sonhado acesso à Série A passou pela serenidade e pelo perfeccionismo de Hemerson Maria.

Todos estes fatores, unidos, colocaram o Joinville Esporte Clube na Série A e, quem sabe, ainda pode dar o título da série B ao Tricolor. O time que já nasceu campeão ( em seu primeiro ano de fundação, levou o Campeonato Catarinense), o time da maior cidade do Estado de Santa Catarina. O que esta equipe pode fazer na Série A ? Certamente, pode fazer bonito.



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