Salvo algumas exceções, os jogos da Libertadores da
América sempre carregam uma energia diferente, algo completamente fora do
normal acontece a cada jogo. E quando se trata de uma final, podemos
multiplicar essa magia ainda mais vezes. Prova disso aconteceu nessa
quarta-feira, 14 de Agosto de 2014, a entrada do San Lorenzo de Almagro em seu
estádio trás bombasticamente toda a força dessa competição que faz torcedores
de toda a América sonhar em conquistar, ano após ano.
Longe de ser a final esperada da competição, San
Lorenzo e Nacional fizeram, antes de mais nada, uma FINAL DE LIBERTADORES.
Daquelas que a técnica, a categoria e a habilidade pouco importam. Uma final
onde o suor, a força e a raça de cada equipe é o que leva o campeão à glória.
Um detalhe fez a bola de Orué explodir na trave com apenas um minuto de jogo,
poderia ter sido, apesar de cedo, o gol do título paraguaio, e não foi. Apesar
de ter feito uma partida longe de seu maior potencial, El Ciclón levantou
a taça ao final do jogo, El Nuevo Gasómetro explodiu de alegria, e com todo
merecimento. Finalmente, o único grande argentino a não ganhar a Libertadores,
venceu.
É o terceiro campeão inédito e seguidamente, e isso
tem não é por acaso. Os grandes bichos papões das Américas estão perdendo força
e, cada vez mais, não figuram entre os grandes da Liberta. Casos de
Independiente, Boca Juniors, Penarol e, por que não, o São Paulo no caso
brasileiro. O San Lorenzo se junta a Atlético Mineiro e Corinthians, e assim,
assina sua "Carta de Libertação". Libertação essa que veio com grande
festa, fogos, bandeiras, chuva de papel picado e muitos cantos, como tem que
ser uma festa de futebol. O bairro de Boedo na Argentina não vai dormir essa
noite, e haja festa para Los Cuervos.
Muito mais que o "time do papa", o San
Lorenzo é gigante, sempre foi considerado uma das grandes forças do futebol
argentino. Em um time onde os símbolos são o capitão e ídolo Leandro Romagnoli
e o não menos importante Néstor Ortigoza, a equipe de Edgardo Bauza mostrou um
ótimo potencial, com alguns altos e baixos, como na primeira fase conturbada ou
no 1º tempo duvidoso da grande da final, mas sempre com a força de potencial
campeão.
O JOGO
Por incrível que pareça, o Nacional do Paraguai
dominou as ações no 1º tempo da partida, ao ponto de jogar uma bola na trave
com apenas um minuto de jogo, com Orué. A aposta do Nacional estava dando
certo, o nervosismo do time argentino era claro e a equipe paraguaia
aproveitava disso com contra ataques perigosos. Tanto que aos 17 minutos um
chute de fora de área de Torales passou muito perto do gol de Torrico. A leveza
do Nacional estava em contraponto com a afobação do San Lorenzo. Apenas uma
jogada esporádica poderia mudar os rumos da primeira etapa, e ela veio. Aos 34
minutos Coronel meteu a mão na bola em uma jogada infantil, o árbitro
brasileiro Sandro Meira Ricci acertadamente marcou a penalidade máxima, era a
chance do San Lorenzo. Ortigoza chamou a responsabilidade e em ótima cobrança
marcou o gol do título argentino.
Com o gol de Ortigoza, por mais tentasse, pesou a
falta de técnica e agressividade da equipe tricolor. O Nacional não tinha
forças para chegar ao empate e muito menos para chegar à virada que lhe daria o
título. Longe de ser uma boa partida, o jogo prosseguiu com muitas jogadas de
força e poucos lances de visão e categoria de ambas as partes, o San Lorenzo
estava na dele, aguardando o momento da consagração. O único lance de perigo do
Nacional foi nos pés de Bareiro que ao receber lançamento dentro da área não
conseguiu completar para o gol, batendo por cima da meta de Torrico. Sem lances
de perigo, mas com muita emoção, a final da Libertadores acabou com a
consagração do San Lorenzo. Ao Nacional Querido, todo o respeito e os parabéns
por ter ido onde nem o mais otimista torcedor poderia imaginar antes da
competição.
Destaques
Torrico - Melhor goleiro da Libertadores de 2014, segurança de baixo das traves do
San Lorenzo.
Edgardo Bauza - Campeão do Apertura da temporada de 2013/2014, vence a
Libertadores e se consolida na história do clube.
Leandro Romagnoli - Capitão do San Lorenzo, chorou muito ao ser
substituído no final do segundo tempo, está prestes a jogar pelo Bahia, porém
já avisou que pretente continuar no San Lorenzo.
Néstor Ortigoza - Ele parece ser "gordinho", mas, na verdade, é
o pulmão e alma da equipe, chamou a responsabilidade e bateu o pênalti do
título de Los Cuervos.
Ficha técnica
San Lorenzo 1 x 0 Nacional
San Lorenzo
Sebastián Torrico; Julio Buffarini, Mauro Cetto,
Santiago Gentiletti e Emmanuel Más; Héctor Villalba (Enzo Kalinski, aos 37′/2T),
Néstor Ortigoza, Juan Mercier e Leandro Romagnolli (Walter Kannemann, aos 44′/2T);
Martín Cauteruccio (Gonzalo Verón, aos 20′/2T) e Mauro Matos. Técnico: Edgardo
Bauza
Nacional
Ignacio Don; Ramón Coronel, Raúl Piris e David
Mendoza; Marcos Melgarejo, Marcos Riveros, Silvio Torales e Derlis Orué (Brian
Montenegro, aos 12′/2T); Julián Benítez (Julio Santa Cruz, aos 41′/2T) e Fredy
Bareiro (Marco Melgarejo, aos 43′/2T). Técnico: Gustavo
Morínigo
Local: Estádio
Nuevo Gasómetro, em Buenos Aires (ARG)
Árbitro: Sandro Meira Ricci (BRA)
Gols: Néstor
Ortigoza (36′/1T)
Cartões amarelos: Juan Mercier (San Lorenzo); Julián Benítez e David
Mendoza (Nacional)
Cartões vermelhos: nenhum






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